Quem matou meu Pai?

Sim, eu sei que o t√≠tulo desse post √© forte… Tamb√©m sei que nada vai trazer o meu pai de volta, mas eu preciso desabafar. O intuito desse post n√£o √© o de acusar ningu√©m, mas sim relatar a experi√™ncia de morte do meu pai desde quando ele deu entrada no Hospital Heli√≥polis para tratar de um c√Ęncer que a princ√≠pio seria simples.

Querido blog,

Estou h√° um bom tempo tentando atualizar este blog, pois apesar das informa√ß√Ķes desse post serem ruins, aconteceram muitas coisas boas desde o in√≠cio do ano. Sei que devemos guardar as boas lembran√ßas e momentos de alegria, mas se eu n√£o registrar aqui tudo o que aconteceu desde que meu pai iniciou o tratamento contra o c√Ęncer no Hospital Heli√≥polis, eu n√£o ficarei em paz!

H√° muitos anos, meu pai sofria com problemas intestinais e dificuldades para evacuar. At√© ent√£o, ele sempre achou que fosse uma “simples” hemorroida. Teimoso como a maioria dos homens, ele sempre fugia das consultas m√©dicas, mas em Janeiro desse ano (2019), a situa√ß√£o ficou cr√≠tica quando ele come√ßou a perceber sangue nas fezes.

Como meu pai não tinha convênio médico, marcamos uma consulta no Dr. Consulta, pois é o meio mais acessível financeiramente, antes de encarar o tão precário SUS.

14 de fevereiro de 2019 – Primeira consulta

À princípio marcamos uma consulta com a Dra. Liliane, clínica geral na unidade do Dr.Consulta do centro de Guarulhos. Ela solicitou alguns exames de rotina e fez o encaminhamento para meu pai passar também com o urologista.

No dia 19 de fevereiro de 2019, meu pai passou com o Dr. Fabio Guedes, urologista na unidade do Shopping Internacional de Guarulhos. O intuito dessa consulta era avaliar se havia algum problema com a próstata, uma vez que meu pai nunca havia realizado o exame. Não foi necessário realizar o exame de toque nesse dia, pois o médico solicitou um exame de sangue e ultrassonografia de próstata via abdominal.

No dia 12 de março de 2019, houve o retorno com o urologista, o qual avaliou os exames e identificou que havia uma alteração na próstata, ou seja, ela estava aumentada. No entanto, o problema maior não era esse.

No dia 25 de mar√ßo de 2019, no retorno com a Dra. Liliane, ela avaliou os exames que havia pedido, dentre eles uma bi√≥psia, e constatou que meu pai estava com um Adenocarcinoma de Reto… C√āNCER NO INTESTINO!

Quem estava com ele no momento da notícia, foi minha mãe e ela disse que a Dra. Liliane falou como se fosse a coisa mais natural do mundo. Segundo minha mãe, a doutora ainda se despediu de meu pai dizendo:

“Quero ver o senhor aqui no ano que vem, viu?!”

Mal sabia ela que isso seria imposs√≠vel de acontecer… ūüė¶

Lembro que quando minha m√£e voltou da consulta e me deu a not√≠cia, eu n√£o conseguia chorar. Sempre achei que se eu recebesse um diagn√≥stico desse na fam√≠lia, me acabaria em prantos, mas n√£o foi o que aconteceu… Fiquei sem rea√ß√£o, como se n√£o fosse verdade, mas na verdade n√£o tinha ca√≠do a ficha!

Nesse dia, meu pai foi para a oficina, pois era o lugar em que ele mais gostava de ficar. Quando voltou pra casa, seus olhos estavam muito inchados, como eu nunca tinha visto antes… Devia ter chorado horrores!

Nunca vi meu pai chorar. Ele sempre segurava o choro… talvez isso tenha contribu√≠do para a evolu√ß√£o do problema f√≠sico dele. Papito sempre foi forte, dur√£o e bravo, mas por dentro ele era uma pessoa fr√°gil, sens√≠vel e doce… muuuuito doce!!!

Quando vi seus olhinhos inchados de tanto chorar, tive vontade de abra√ß√°-lo forte e coloc√°-lo dentro de mim, ou de peg√°-lo no colo e carreg√°-lo, como ele sempre fazia comigo e com minha irm√£ quando √©ramos crian√ßas…

Na verdade, depois que o √ļnico amigo dele faleceu, h√° 10 anos atr√°s, meu pai foi perdendo as for√ßas e sua “carapa√ßa” protetora foi virando dor f√≠sica, tristeza, sofrimento e solid√£o… Anderson, melhor amigo do meu pai, era como se fosse um irm√£o para ele e eu o considerava mais que um tio, pois ele era um po√ßo gigante de bondade e boa vontade! N√£o tinha tempo ruim para ele… e se tivesse, ele escondia muito bem. T√£o bem que acabou morrendo por acumular tudo para si, sem deixar que os problemas machucassem as pessoas que mais amava…

Depois que o Anderson morreu, meu pai continuou trabalhando sozinho… N√£o havia ningu√©m que o substitu√≠sse, a n√£o ser o vazio enorme, proporcional ao tamanho do seu cora√ß√£o.

Além da morte do Anderson, outro fato ainda mais recente acabou aos poucos com a vontade de viver do meu pai: a morte do Tio Salvador. Falei sobre isso em um depoimento, mas falarei um pouco mais no final desse post.

Voltando √† saga de morte do meu pai…

Apesar da Dra. Liliane (clínica geral) ter dado a notícia, foi necessário agendar com um especialista para confirmar o diagnóstico e verificar as possibilidades de tratamento. Nesse mesmo dia, foi agendada uma consulta com o Dr. Renato Migliore, coloproctologista do Dr. Consulta.

A consulta estava marcada para o dia 2 de abril de 2019 às 11h15 e neste dia quem o acompanhou fui eu. Estávamos muito confusos e incrédulos de que meu pai estava realmente com essa doença e sobre como seria o tratamento.

Dr. Renato atendeu meu pai, olhou todos os exames e disse que realmente era c√Ęncer, mas que de todos os c√Ęnceres, este era um dos mais simples de se tratar. Essa informa√ß√£o nos deu um certo al√≠vio na √©poca, mas n√£o era o suficiente para nos deixar totalmente confiantes.

Dr. Renato perguntou se meu pai tinha conv√™nio, falamos que n√£o. Ele disse que infelizmente o Dr. Consulta n√£o dispunha de estrutura para tratar esse tipo de doen√ßa, pois n√£o possui hospitais, apenas cl√≠nicas. Ele disse ainda que um tratamento desse no particular n√£o sairia por menos de R$ 100 mil… Por isso, ele fez uma carta de encaminhamento para levarmos √† UBS do SUS para encaminharem ao tratamento.

Dr. Renato solicitou ainda mais alguns exames espec√≠ficos (CEA – ANTIGENO CARCINOEMBRIOGENICO PROTEINAS TOTAIS E FRACOES) e disse que meu pai poderia retornar com ele para levar os exames.¬†O √ļltimo retorno com o Dr. Renato aconteceu no dia 16 de abril de 2019. Depois desse dia tudo ocorreu pelo SUS.

Início da saga pelo SUS

Depois de receber a confirma√ß√£o do diagn√≥stico de c√Ęncer pelo Dr. Consulta, meu pai foi encaminhado para a Unidade B√°sica de Sa√ļde (UBS Cavadas) para dar entrada no tratamento… Ou seria tortura? Sim, o termo parece forte e exagerado, mas s√≥ quem passa pela espera angustiante do SUS sabe o que √© esse sofrimento.

Com todos os exames realizado no Dr. Consulta em m√£os + a carta de encaminhamento do Dr. Renato, meu pai e eu fomos at√© a UBS Cavadas, perto de casa. Meu pai nunca tinha ido ao m√©dico pelo SUS e sempre fugia quando minha m√£e dizia que ia fazer a carteirinha dele. As duas √ļnicas cirurgias que ele teve que fazer na vida, foram no Hospital Stella Maris (ap√™ndice e h√©rnia) e foram pagas.

Hoje entendo o medo do meu pai de passar pelo SUS…¬†Na verdade, eu j√° tinha conhecimento do atendimento do SUS, pois iniciei meu tratamento da Tireoide por l√°. Depois de uns dois anos tratando pelo SUS, resolvi procurar ajuda de outro tipo de profissional, pois al√©m da demora entre uma consulta e outra, a desinforma√ß√£o de algumas pessoas e a m√° vontade de outras, tamb√©m fizeram com que eu quisesse fugir de l√°!

Depois de uma longa espera na UBS Cavadas, meu pai finalmente conseguiu ser atendido. A atendente Juliana (muito simpática e prestativa por sinal = exceção), fez o cadastro dele, pois ele ainda não tinha o cartão do SUS. Ela olhou todos os exames, falei para ela da urgência e mostrei a cartinha do Dr. Renato. Juliana disse que naquele dia a médica não estava mais lá, mas que iria encaminhá-lo para falar com a chefe da enfermaria para ver se ela conseguia um encaixe para ele.

Falamos com a tal chefe e ela conseguiu agend√°-lo para a semana seguinte. Nesse dia, n√£o pude acompanh√°-lo, mas ele passou com a m√©dica e ela encaminhou o processo. Os exames foram escaneados na pr√≥pria UBS e enviados para o Estado, pois quest√Ķes relacionadas a Oncologia n√£o s√£o tratadas diretamente pelo munic√≠pio de Guarulhos (at√© agora n√£o entendi o porqu√™).

O procedimento de escanear a documentação e enviar para o Estado também foi realizado pela Juliana. Tanto que ela entrou em contato comigo no dia 9 de abril de 2019 para solicitar os exames novamente, pois reclamaram que a cópia não estava legível. Escaneei para ela de casa mesmo e enviei para o e-mail da UBS.

At√© aqui estava indo bem…

Depois que demos entrada na UBS, ficamos aguardando o retorno deles para saber onde e quando seria iniciado o tratamento. Nessa √©poca eu estava tratando dos dentes com o Dr. Tiago (ortodontista do Dr. Consulta Para√≠so) e, coincidentemente, o pai dele tamb√©m estava tratando de c√Ęncer no reto e descobriu na mesma √©poca que meu pai.

Como eles tinham conv√™nio, conseguiram realizar a cirurgia rapidamente e continuar com a quimioterapia sem mais complica√ß√Ķes.¬†Dr. Tiago tamb√©m falava que esse c√Ęncer era simples e que daria tudo certo com o tratamento, mas infelizmente ele estava t√£o enganado quanto n√≥s, pois o destino do meu pai foi bem diferente…

Depois do dia em que escaneei os documentos para a Juliana, retornamos com o Dr. Renato no dia 16 de abril e falamos para ele sobre a demora do SUS. Ele orientou que lig√°ssemos pelo menos uma vez por semana para verificar como estavam as vagas. Hoje eu j√° nem me importaria mais com essa demora, pois teria meu pai por mais tempo pertinho de mim… ūüė¶

Passadas algumas semanas, ligaram da UBS Cavadas informando que o tratamento seria realizado no Hospital Heliópolis e que a primeira consulta estava marcada para o dia 13 de maio de 2019 a partir das 14 h.

Ficamos preocupados com o fato de ser nesse hospital, pois além de ser bem longe de casa, havia um passado tenebroso com relação a esse lugar: Anderson, o melhor amigo do meu pai, faleceu no Hospital Heliópolis há 10 anos atrás. Pode parecer apenas uma coincidência, mas para nós essa informação teve um peso muito grande.

Pois bem, no dia 13 de maio √†s 14 h est√°vamos l√°, Papito e eu. Logo no port√£o do hospital, ficamos em d√ļvida se poderia entrar com o carro l√° dentro ou n√£o, mas quando falei para o guarda a palavra ONCOLOGIA, logo ele liberou que entr√°ssemos de carro. Lembro que ainda brinquei com meu pai: “A palavra m√°gica √© oncologia!” Brincadeira mais infame… :/

Depois de estacionarmos o carro, procuramos o local onde seria a consulta. Erramos um pouco o caminho, at√© chegarmos √† recep√ß√£o do atendimento. Fomos encaminhados para uma esp√©cie de triagem, onde a atendente faz v√°rias perguntas para fazer o “cart√£o” do hospital (uma folha de papel) e a maioria das informa√ß√Ķes s√£o preenchidas a m√£o.

Ap√≥s o cadastro, a atendente falou para retirarmos uma senha e aguardar a chamada para a consulta. Tinha gente de tudo quanto √© lugar, com v√°rios tipos de c√Ęnceres e que tinham chegado muito mais cedo para passar nessa consulta.

Papito estava triste e preocupado… Demorou mais de duas horas para ele ser chamado e quando entramos na sala, ele foi atendido inicialmente pelo Dr. Everton Gustavo, que acredito ser o m√©dico residente. Fiquei com muita d√≥ desse m√©dico, pois ele teve que preencher todos os formul√°rios A M√ÉO. Depois de tanto escrever, ele pediu para o meu pai subir na maca e aguardar o m√©dico respons√°vel para examin√°-lo.

Depois de uns 20 minutos, chegou o Dr. Bernardo Pompeu (Cancerologista Cirurgião). Ele me cumprimentou, cumprimentou meu pai e começou a fazer as perguntas para o Dr. Everton. Terminadas as perguntas, ele e o médico residente fizeram exame de toque no meu pai. Detalhe: nesse momento fiquei um pouco constrangida pois não pediram para eu me retirar da sala e meu pai também ficou bravo, pois não precisou fazer esse exame no Dr. Consulta, mas nesse dia foi feito duas vezes, ou seja, por duas pessoas.

Enfim, ap√≥s examinar meu pai, Dr. Bernardo disse que tinha conseguido sentir a les√£o, informou a medida e o estadiamento do tumor para o Dr. Everton e em seguida, explicou para n√≥s o que seria feito e qual a situa√ß√£o. Ele disse que antes de fazer a cirurgia para a retirada do tumor, era necess√°rio fazer as sess√Ķes de quimioterapia e radioterapia. Ficamos assustados com a quantidade de quimioterapia (5 dias seguidos), mas n√£o questionamos na hora.

Cabe lembrar que eles questionaram o fato de termos realizado os exames iniciais no Dr. Consulta, por isso nos foi solicitada a l√Ęmina da bi√≥psia e mais alguns exames que deveriam ser realizados no pr√≥prio Hospital Heli√≥polis. Um deles, a Resson√Ęncia P√©lvica, at√© hoje n√£o abriu vaga para fazer, mas enfim… n√£o vem ao caso,pois meu pai j√° n√£o est√° mais aqui para fazer mesmo…

Papito e eu sa√≠mos da sala dos m√©dicos perto das 18h, quase fechando aquela sess√£o do hospital. Passamos na recep√ß√£o para agendarmos os exames que o Dr. Bernardo havia pedido e o in√≠cio do tratamento, mas devido ao hor√°rio, o exame s√≥ poderia ser realizado no dia seguinte e o tratamento s√≥ poderia come√ßar com a tal da l√Ęmina da bi√≥psia…

No dia seguinte, Papito e eu fomos at√© o Dr. Consulta Tatuap√©, onde foi realizada a bi√≥psia do tumor (fato que n√£o detalhei anteriormente). L√°, disseram que estaria dispon√≠vel em at√© 10 dias √ļteis, mas que ligariam para avisar se chegasse antes. Nesse meio tempo, tentamos marcar a Resson√Ęncia P√©lvica, mas n√£o havia aberto a agenda (e nem abriu nos meses seguintes).¬†Quando a l√Ęmina chegou no Dr. Consulta, pouco antes do prazo, ligaram para o meu pai e ele foi retirar a “caixinha”, sozinho.

No dia 30 de maio de 2019, fomos at√© o Hospital Heli√≥polis para marcar o in√≠cio do tratamento e o exame que o Dr. Bernardo pediu j√° com a l√Ęmina solicitada por ele. A desinforma√ß√£o de algumas atendentes, nos deixou muito preocupados: elas n√£o quiseram ficar com a caixinha da l√Ęmina, pois disseram que era para entregar para o Dr. Bernardo, pegaram algumas guias do meu pai e anotaram as informa√ß√Ķes para entrarem em contato conosco. Disseram que n√£o sabiam se o tratamento seria feito l√° ou n√£o…

Esse fato gerou um post meu no Instagram, que serviu para alertar as pessoas que n√£o sabiam o que estava acontecendo com o meu pai e tamb√©m para recebermos o apoio e as orienta√ß√Ķes de pessoas que ficaram realmente preocupadas conosco.

Instagram Papito 30-05-19
Oi gente! Tudo bem?
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Est√£o vendo essa carinha fofa e sorridente na foto?
Ele √© meu pai e o nome dele √© Luiz… Mais conhecido como Luizinho ou Tio Luiz! ūüėĀ
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H√° uns 3 meses ele foi diagnosticado com¬†#cancernointestino¬†, fez todos os exames pelo¬†#drconsulta¬†, mas como l√° n√£o tem hospital e n√≥s n√£o temos conv√™nio, ele acabou sendo encaminhado para o¬†#SUS… ūüė¨
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A nossa jornada com o¬†#sus¬†come√ßou na¬†#UBSCavadas, em Guarulhos, mas como existe uma fila de espera, tivemos que aguardar. ūüėĒ
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Gra√ßas aos exames que ele havia feito no¬†#DrConsulta¬†e ao encaminhamento do m√©dico, conseguimos adiantar o processo, pois se ele come√ßasse tudo no posto, sabe-se l√° em que p√© estaria agora… ūüėē
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Quase dois meses depois, surgiu uma vaga para ele no¬†#hospitalheliopolis¬†. Levamos todos os exames, o m√©dico examinou, disse que ele precisa fazer uma¬†#ressonanciapelvica¬†, mas j√° confirmou que ele ter√° que fazer¬†#cirurgia¬†,¬†#quimioterapia¬†e¬†#radioterapia¬†ūüėĘ
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At√© a√≠ tudo bem, pois j√° sab√≠amos que isso iria acontecer. O problema come√ßou quando sa√≠mos da consulta. Ele precisa come√ßar a fazer quimio e radio antes da cirurgia, mas n√£o p√īde marcar porque precisava da l√Ęmina da bi√≥psia, a qual estava no DrConsulta.
No dia seguinte, solicitamos a l√Ęmina, a qual demoraria 10 dias para chegar. Enquanto isso, tentamos marcar a¬†#ressonancia¬†, mas para isso tamb√©m tem¬†#filadeespera¬†no SUS e n√£o pode fazer no particular por causa da¬†#burocracia¬†do hospital. ūüôĄ
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Quando finalmente pegamos a l√Ęmina para marcar a quimioterapia no hospital, disseram que iam ficar s√≥ com o laudo da bi√≥psia (voltamos com a l√Ęmina) e pegaram nossos telefones para falar se ele vai ou n√£o ser atendido naquele hospital… ūüė≠
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Ou seja, a pessoa j√° tem o¬†#diagnosticodecancer¬†faz todos os exames, √© examinado novamente pelo m√©dico e n√£o sabe se ser√° atendido??? ūüė≥
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Com o perd√£o da palavra… QUE POūü§¨A DE SUS √Č ESSA??? ūüė†
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Deus que me perdoe, mas √© por isso que muitas pessoas morrem sem tratamento… O pior √© que nem d√° pra ir no particular, pois a cirurgia e tratamentos passam dos R$ 100 mil e a pessoa que trabalhou a vida inteira e AINDA TRABALHA, n√£o pode ser atendida quando precisa… ūü§®
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Enfim, estou postando esse desabafo, pois tanto meu pai quanto eu, somos muito educados e n√£o sabemos fazer barraco, como muitos dizem para fazer… N√£o achamos que seja esse o caminho, pois quando se trata as pessoas com educa√ß√£o, conseguimos muito mais em troca… No entanto, estamos um pouco confusos com toda essa situa√ß√£o, pois n√£o achamos que seja “normal” uma pessoa com diagn√≥stico de c√Ęncer demorar tanto para ser atendida desse jeito… Por isso, pedimos ajuda com informa√ß√Ķes do que podemos fazer, sem que seja necess√°rio brigar, discutir ou arrumar ainda mais confus√£o! Toda ajuda √© muito bem-vinda! E se puderem compartilhar at√© chegar em quem pode ajudar, agradecemos imensamente!!! Rezem por n√≥s e que Deus esteja sempre a frente dos nossos caminhos! ūüôŹūüôƬ†Link post completo no Instagram

Depois desse post, recebemos mensagens de v√°rias pessoas que se ofereceram para ajudar e deram informa√ß√Ķes para irmos a v√°rios lugares, mas como ele j√° tinha dado entrada no Hospital Heli√≥polis, n√£o poder√≠amos mudar muita coisa. At√© tentamos a ajuda de um parente nosso, mas antes que ele retornasse com uma poss√≠vel ajuda, o Hospital Heli√≥polis entrou em contato.

A consulta com o oncologista Dr. Jos√© Carlos M. Ferreira¬†foi agendada para o dia 12 de junho de 2019. Nesse dia, quem acompanhou meu pai foi minha m√£e… o que foi bom, pois eu j√° n√£o tinha mais estrutura psicol√≥gica para enfrentar a recep√ß√£o daquele hospital.¬†Gra√ßas a Deus, minha m√£e √© uma pessoa tranquila, forte e comunicativa. Ela √© mais firme do que meu pai e eu juntos.

Meus pais chegaram na consulta com o Dr. José Carlos e explicaram toda a situação para ele, mostraram exames e tudo mais. Ele examinou meu pai e fez o caminhamento para a radioterapia e a quimioterapia, mas disse que teria que aguardar até que surgisse a vaga para iniciar o tratamento. Meu pai ficou preocupado novamente, mas até que dessa vez não demorou tanto para chamá-lo.

No dia 19 de julho de 2019, o atendente Caio da sess√£o de Radioterapia ligou para informar que no dia 29 de julho de 2019 √†s 14h iniciaria a radioterapia e que nesse mesmo dia ele deveria marcar a quimioterapia tamb√©m. Ao todo seriam 28 sess√Ķes de radioterapia (seguidas) e 10 de quimioterapia, divididas em 5 dias seguidos no in√≠cio e 5 dias seguidos no final.

Início do tratamento РRadioterapia e Quimioterapia

No dia 29 de julho de 2019, meu pai iniciou as sess√Ķes de radioterapia. Para quem n√£o sabe, esse tratamento consiste em receber luzes de radia√ß√£o no local demarcado com um “X” na pele, com o intuito de ir “queimando” o tumor internamente. J√° a quimioterapia √© um medicamento recebido pela veia (ou oral em alguns casos) para destruir as c√©lulas cancer√≠genas… e as boas tamb√©m… ūüė¶

Importante frisar: o Dr. Jos√© Carlos explicou para meus pais que o tratamento seria leve e que meu pai n√£o precisaria de acompanhante, pois a dose dele deveria ser leve e ele n√£o teria tantos efeitos colaterais. Infelizmente n√£o foi bem isso o que aconteceu…

Na primeira semana de radioterapia até que foi bem tranquilo. Meu pai foi dirigindo e minha mãe o acompanhou. Até então não houve nenhuma queixa de dores, além das quais ele já sentia antes de iniciar o tratamento. A parte boa da radioterapia foram as pessoas que conhecemos por lá, que também estavam realizando o tratamento: Reginalda, Neiri e seu filho Alex, Dona Luiza e sua filha Vaneide, Dona Vera e seu vizinho que a acompanhava, bem como as outras pessoas que também estavam tratando e que não sabíamos o nome.

Na semana seguinte, do dia 5 ao dia 9 de Agosto (meu pai odiava esse m√™s), meu pai fez as primeiras 5 sess√Ķes de quimioterapia pela manh√£ e continuou fazendo as sess√Ķes de radioterapia a tarde. Como o Hospital Heli√≥polis fica pr√≥ximo √† casa do meu cunhado Thierry, meus pais passaram a semana inteira por l√°. Fiquei de sobreaviso caso precisassem de ajuda, pois at√© ent√£o meu pai ainda estava forte e dirigia normalmente.

Apesar de estarmos apreensivos com o tratamento, a primeira semana de quimioterapia junto com a radioterapia parecia estar indo muito bem! Minha m√£e acompanhou meu pai s√≥ no primeiro dia, pois como n√£o podia ficar na sala de quimioterapia e as sess√Ķes eram muito demoradas, ela teria que ficar esperando mais de 3 horas na recep√ß√£o, al√©m do hor√°rio da radioterapia que era a tarde.

Enquanto tomava a quimioterapia, Papito aproveitava para observar as pessoas e refletir sobre a vida. Vez ou outra ele mandava uma selfie pra gente, pra mostrar que estava tudo bem. Nessa primeira semana de quimio e radio, o Hospital Heliópolis ainda servia almoço para os pacientes, mas foi apenas nessa primeira semana. Muitos pacientes, já debilitados pela quimioterapia, jogavam a maior parte da comida no lixo, causando desperdício. Menos Papito, que comia tudo muito orgulhoso de si, como uma criança que a mãe obriga a limpar o prato! rsrs

Papito não entendia o porquê das pessoas não comerem toda a comida, mas alguns dias depois isso ficou muito claro para ele.

Papito Quimio

Efeitos colaterais da primeira sess√£o de quimioterapia…

No dia 9 de agosto de 2019, Papito voltou para a casa do Thierry, ao encontro de minha m√£e, super orgulhoso e aliviado por ter conseguido fazer as 5 primeiras sess√Ķes de quimio junto com a radio e n√£o ter tido nenhum sintoma ruim. No entanto, no s√°bado pela manh√£ voltando para Guarulhos, eles pegaram um calor muito forte no tr√Ęnsito e meu pai j√° chegou em casa com um princ√≠pio de diarr√©ia.

No domingo, 11 de agosto de 2019, era Dia dos Pais! Apesar da fraqueza que sentia por causa da diarréia, Papito ainda conseguia sorrir e começou o dia animado! Conseguiu almoçar normalmente e recebeu visitas (Bruno, Isabelli, Paula, Tia Aninha e Tia Nenê). Ao anoitecer, ele foi ficando cada vez mais amuado e cansado, mal via a hora de poder deitar e descansar.

Depois que as visitas foram embora, inclusive eu, Papito passou muito mal e vomitou bastante. Teve at√© dor no peito, o que deixou minha m√£e muito preocupada a ponto de querer me chamar para lev√°-lo ao pronto-socorro, mas ele n√£o deixou. Fiquei sabendo disso no dia seguinte, quando minha m√£e me interfonou dizendo que meu pai n√£o tinha condi√ß√Ķes de ir sozinho para a radioterapia e que ter√≠amos que lev√°-lo.

Partimos para o Hospital Heliópolis um pouco antes do horário da radioterapia para ver se conseguíamos passá-lo com um médico. Chegando lá, ele foi encaminhado para a enfermaria. A enfermeira Socorro mediu a pressão dele e estava normal, graças a Deus o susto passou. Saindo da enfermaria, ele fez a sessão de radioterapia e voltamos para casa.

Apesar das recomenda√ß√Ķes para ele tomar bastante √°gua de coco e procurar se alimentar bem, meu pai j√° come√ßou a n√£o querer comer direito, pois sentia muito enjoo e ainda vomitava bastante. Quando n√£o era o v√īmito, era diarr√©ia… ou os dois ao mesmo tempo. Nessa √©poca ele estava tomando v√°rios rem√©dios receitados pelo Dr. Jos√© Carlos: Vonau para v√īmito, Imosec para diarr√©ia, Plasil para enjoo, Paracetamol para dor… e por a√≠ vai.

Mesmo com tantos rem√©dios, os sintomas n√£o passavam. Quando o v√īmito finalmente sessou, come√ßaram as c√≥licas abdominais muito fortes, que fizeram com que volt√°ssemos a procurar o m√©dico.

No dia 14 de agosto de 2019, antes da radioterapia, meu pai passou com o Dr. Paulo Wan Chi Tsai, para falar sobre todos os sintomas que estava sentindo e o Dr. disse que eram rea√ß√Ķes normais da quimioterapia. Falou inclusive que a radioterapia tamb√©m poderia causar efeitos colaterais, como queima√ß√£o no local e sensa√ß√Ķes como as de uma hemorroida. Por isso, ele receitou mais alguns rem√©dios, mas esses n√£o surtiram muito efeito.

As sess√Ķes de radioterapia do dia 12 ao dia 16 de agosto de 2019 seguiram em meio a v√īmitos, diarr√©ia e dores, mas pelo menos n√£o teve a quimioterapia para complicar ainda mais.

Na semana seguinte, do dia 19 ao dia 23 de agosto de 2019, fomos apenas meu pai e eu para o Hospital Heliópolis. Ele já não estava mais vomitando com tanta frequência, mas ainda estava com um pouco de diarréia e com cólicas abdominais fortíssimas. Por isso, no dia 21 de agosto, meu pai passou com o Dr. Vitor M. Ferigato, para falar sobre essa dor abdominal que ele dizia parecer hérnia.

Dr. Vitor examinou meu pai na maca e disse que haviam h√©rnias sim, mas que n√£o era para for√ßar ou tentar coloc√°-las para dentro. Nesse dia, ele passou Morfina para diminuir a dor e estancar a diarr√©ia. Pegamos as Morfinas no pr√≥prio hospital, mas foi s√≥ ele tomar para voltarem todos os sintomas novamente, v√īmitos, diarr√©ia e dores… Ou seja, meu pai n√£o se deu bem com a Morfina!

Nessa mesma semana, no dia 20 de agosto de 2019, meu pai fez um hemograma no pr√≥prio hospital para levar na semana seguinte, quando iniciariam as √ļltimas 5 sess√Ķes de quimioterapia. Pegamos o resultado no dia 21 de agosto e mostramos para o Dr. Vitor. Ele disse que estava tudo normal, ent√£o n√£o t√≠nhamos muito o que questionar.

Na quinta-feira, 22 de agosto de 2019, uma cena muito triste me marcou e ela vem na minha cabe√ßa toda vez que passo pelo corredor do apartamento dos meus pais. Chegando da sess√£o de radioterapia, meu pai demorou para descer do carro. Achei estranho, mas fiquei esperando para ver se ele queria vomitar ali mesmo na garagem.¬†Ele se recuperou e conseguimos subir pelo elevador. Vim na frente para abrir a porta e ele veio bem devagar arrastando a m√£o direita pela parede… Quando estava quase chegando na porta do apartamento, veio um esguicho muito forte de v√īmito e ele n√£o conseguiu segurar at√© o banheiro… Vomitou tudo no corredor…

Ele ainda conseguiu ir para o banheiro e continuou vomitando…¬†Depois que parou de vomitar, tudo foi limpo e ele foi descansar. N√£o conseguia comer mais nada al√©m de beber apenas √°gua de coco e o suplemento que a nutricionista passou.

No dia seguinte, depois da radioterapia, ele passou novamente com o Dr. Vitor e n√≥s contamos para ele tudo o que tinha acontecido. Ele falou para o meu pai ir at√© a enfermaria e pediu para a enfermeira Socorro aplicar glicose e complexo B12 pra ele na veia. Ele ficou tomando esse soro at√© √†s 17h e pouco… Foi chegando a hora do pessoal ir embora e o soro estava quase acabando. Socorro mediu a glicemia do meu pai e viu que havia subido muito. Ela achou melhor interromper o soro e tirou o acesso.

Voltamos para casa e passamos o final de semana nos preparando para as √ļltimas 5 sess√Ķes de quimioterapia… N√£o t√≠nhamos nem ideia que essa seria a √ļltima semana de vida do meu pai… ūüė¶

As √ļltimas 5 sess√Ķes de quimioterapia…

Na semana do dia 26 a 30 de agosto de 2019, fomos meu pai, minha m√£e e eu para a casa do Thierry, pois meu pai faria novamente as sess√Ķes de quimioterapia de manh√£ e as radioterapias a tarde e a casa dele fica h√° 10 minutos do Hospital Heli√≥polis.¬†Sinceramente, ach√°vamos que n√£o deixariam meu pai fazer essas sess√Ķes de quimioterapia, pois ele estava muito definhado e mal conseguia manter-se de p√©.

Na segunda-feira, 26 de agosto de 2019, levei meu pai para a quimioterapia às 8h. Quando chegamos, uma das atendentes da sessão de quimioterapia pegou o resultado do hemograma que meu pai fez no dia 20 de agosto e levou para dentro da sala, assim como fez com o de todos os outros pacientes que aguardavam por lá.

Nesse momento, minha m√£e e eu pens√°vamos que algu√©m veria o estado dele, mas voltaram com o resultado conferido e chamaram meu pai assim mesmo para iniciar as sess√Ķes. Nesse dia, minha m√£e e eu ficamos pelo hospital aguardando o t√©rmino da quimio para depois encaminh√°-lo para a radio.

Não serviam mais almoço nessa época, por conta do desperdício, apenas um kit lanche, que meu pai nem conseguiu comer. Três horas depois do início da quimio, meu pai foi liberado e nós o levamos para fazer a radioterapia. Ficamos aguardando um pouco, pois chegamos antes do horário dele e as pessoas que o conheciam e chegaram depois, foram ficando espantadas ao vê-lo naquele estado.

Toda aquela for√ßa, alegria e bom humor, caracter√≠sticos do meu pai, foram transformados em dor, tristeza e des√Ęnimo. Quem olhava para ele percebia que ele j√° tinha entregado os pontos e que n√£o tinha mais de onde tirar for√ßas para lutar contra os efeitos colaterais da quimio e da radio.

Nos dias seguintes, aconteceu da mesma forma, mas eu n√£o ficava mais com minha m√£e, pois voltava para a casa do Thierry para trabalhar e tamb√©m porque n√£o deixavam mais ficar estacionada l√° dentro do hospital.¬†Minha m√£e o acompanhou nos √ļltimos dias de quimioterapia e eu apenas levava e buscava.

Nos √ļltimos dois dias de quimio, 29 e 30 de agosto, houve uma mudan√ßa nos hor√°rios e ele fez a radioterapia antes da quimio. N√£o sabemos explicar o motivo dessa troca, mas parece que houve uma confus√£o de hor√°rios e acabaram jogando meu pai para o turno da tarde.

Na sexta-feira, 30 de agosto de 2019, busquei meus pais no hospital e quando chegamos em casa, ele teve uma diarr√©ia incontrol√°vel… Sujou todo o banheiro e minha m√£e teve que colocar fralda nele para dormir.¬†Meus pais dormiam no andar de cima, porque os chuveiros ficavam nos banheiros de cima e eu dormia no sof√° da sala.

No s√°bado de manh√£, 31 de agosto de 2019, acordei com a minha m√£e me chamando √†s pressas… Subi correndo e quando cheguei no quarto, ela estava tetando segur√°-lo de p√©, mas n√£o tinha mais for√ßas… Corri para pegar a cadeira que estava no banheiro e o colocamos sentado novamente. A cama estava suja e a fralda cheia… N√£o sab√≠amos de onde ele estava tirando tudo aquilo, j√° que n√£o estava mais conseguindo comer nada…

Depois de muito insistir com ele, levamos meu pai para o banheiro e minha mãe deu banho nele. Ajudei a secá-lo, colocamos a fralda e a roupa e voltamos com ele para a cama. Não tínhamos mais como descer com ele porque se ele perdia as forças nas pernas, minha mãe e eu não conseguímos levantá-lo.

Ele ficou na cama e reclamava de dor na barriga e nas costelas… Demos os rem√©dios dele e tamb√©m a √°gua de coco, pois era a √ļnica coisa que ele conseguia tomar. Aproveitei que estava tudo aparentemente calmo e fui at√© o sacol√£o comprar mais algumas coisas que precisar√≠amos para fazer o almo√ßo.

Quando voltei, minha m√£e disse que ele estava me chamando… Ao subir as escadas, vi que ele j√° estava tentando ir sozinho para o banheiro. Fui at√© o encontro dele para ajud√°-lo, mas ele foi perdendo as for√ßas nas pernas e eu n√£o conseguia mais mant√™-lo de p√©. Chamei minha m√£e e ele foi descendo ao ch√£o. Tivemos que deix√°-lo deitado l√° at√© conseguir ajuda. Colocamos uma toalha debaixo dele e um travesseiro.

Liguei para o 192 para chamar a ambul√Ęncia, mas todas as unidades estavam ocupadas.

Depois, liguei para meu namorado Bruno e informei da situa√ß√£o. Ele estava em Guarulhos e estava √† caminho de l√°. Como ele foi de moto, conseguiu chegar em 50 minutos. Cheguei a ligar novamente para o 192 para saber se a ambul√Ęncia estava √† caminho, mas eles disseram que ainda n√£o havia nenhuma unidade dispon√≠vel para o resgate.

Bruno chegou e subiu para ajudar a descer com ele. Ao chegar no andar de cima, deu de cara com meu pai no ch√£o e, como tem conhecimentos de primeiros-socorros, orientou que meu pai o abra√ßasse nos ombros para que Bruno conseguisse levant√°-lo do ch√£o. A imagem do meu pai esticando os bracinhos para abra√ß√°-lo, ficou na mem√≥ria de Bruno…

Bruno desceu as escadas com meu pai nos braços e conseguiu levá-lo até o carro para levarmos ao pronto-socorro. Fechamos a casa e saímos todos em direção ao Hospital Heliópolis.

Pronto-socorro do Hospital Heli√≥polis… De pronto n√£o tem nada, muito menos socorro!

Chegamos no hospital por volta das 14h. Fomos até o pronto-socorro e o segurança falou para colocá-lo num canto na cadeira de rodas com um acompanhante. Minha mãe ficou com ele e eu fui fazer a ficha, enquanto Bruno foi achar um local para estacionar.

Fiz a ficha do meu pai, a senha dele era 069 e quando fui falar com o segurança novamente, ele disse que tínhamos que aguardar, pois haviam várias pessoas na frente. Nesse momento, meu pai estava com a respiração ofegante e quase escorregando da cadeira.

Insisti com o segurança, pois tratava-se de uma emergência e de um paciente de oncologia, mas ele disse que não poderia fazer nada. Apenas disse para eu ir até a enfermaria para tentar passá-lo na frente.

Depois de rodar igual a uma barata tonta sem ajuda de ningu√©m, tive que entrar com meu pai na sala da m√©dica que estava atendendo no plant√£o (Dr. Andressa ou Andreza)… s√≥ a√≠ ela viu o estado em que meu pai estava e o encaminhou para uma outra sala para fazer a triagem.

Uma enfermeira chamada Cícera entrou na sala e tivemos que colocá-lo na maca, nós três! Não tinha nenhum homem para ajudar! Absurdo!

Dra. Andressa começou o atendimento, enquanto a enfermeira Cícera procurava a veia boa para fazer o acesso. A pressão dele estava muito baixa e ele estava com falta de ar. Cícera colocou a máscara de oxigênio, retirou uma seringa de sangue para coletar alguns exames e colocou o soro. Nesse momento meu pai se acalmou um pouco e a pressão começou a voltar ao normal.

Minha m√£e e eu ficamos assustadas com a quantidade de sangue retirado para realizar o exame. C√≠cera encheu uma seringa grossa de sangue, para colocar em apenas tr√™s tubinhos… Foi um tant√£o de sangue do meu pai para o lixo… Bom, mas isso n√£o vem ao caso…

Cabe apenas mais uma observação relevante: entre um assunto e outro, Cícera comentou que nesse dia havia entrado uma mulher no PS com H1N1, mas ninguém sabia o que ela tinha antes de ser atendida, diagnosticada e finalmente levada para o isolamento.

Depois de examinar meu pai, Dra. Andressa disse que os exames ficariam prontos entre 2h ou 2h30 e que se ela estivesse lá ainda, ela mesma veria o resultado. Do contrário seria encaminhado para a equipe de cirurgia. Em nenhum momento nos foi falado que éramos nós quem deveria buscar o exame.

Em seguida, meu pai foi encaminhado para uma sala de observação, junto com outros pacientes, onde poderia ficar apenas um acompanhante. Fiquei ainda um tempo com eles, mas como não tínhamos almoçado ainda, fui almoçar ali por perto e minha mãe ficou com meu pai. Depois eu voltei para que minha mãe pudesse ir almoçar e eu fiquei com meu pai.

Quando cheguei na sala de observação, o soro do meu pai já tinha acabado e a enfermeira Cícera ainda não tinha colocado a medicação na veia dele. Dra. Andressa havia prescrito uma medicação que continha praticamente todos os remédios que ele estava tomando em casa. Porém, ia ser injetado tudo na veia.

Nesse momento, meu pai estava se queixando de dor e sua respira√ß√£o ficando cada vez mais ofegante novamente. Chamei a enfermeira C√≠cera v√°rias vezes, mas ela dizia que estava preparando a medica√ß√£o. Quando ela finalmente chegou, disse que estava aguardando a Morfina chegar, por isso que tinha demorado tanto…

Meu pai ficou com uma expectativa muito grande do medicamento fazer com que a dor que ele estava sentindo parasse logo, mas al√©m de demorar muito, parece que ele come√ßou a piorar… Desconfiamos mais uma vez da incompatibilidade da Morfina com o meu pai, pois ao inv√©s do medicamento resolver o problema, s√≥ piorou ainda mais…

Nisso já tinha passado mais de 2 horas e ninguém veio falar nada sobre o exame do meu pai. Minha mãe voltou do almoço e eu desci para encontrar o Bruno que teve que ficar esperando do lado de fora. Fomos até a casa do Thierry pegar algumas blusas, pois o tempo havia mudado de repente. Foi um sábado muito quente e turbulento que terminou de maneira fria e tenebrosa.

Bruno e eu voltamos para o hospital por volta das 20h e quando me dirigia para a sala de observa√ß√£o, encontrei minha m√£e no corredor voltando com o resultado do exame. Ela me falou que perguntou para o enfermeiro sobre o exame que ele tinha feito quando deu entrada l√° e o enfermeiro disse que ela √© que tinha que ir buscar… A enfermeira C√≠cera e a Dra. Andressa n√£o disseram isso para n√≥s quando entramos no PS e elas j√° tinham sa√≠do quando minha m√£e foi questionar o enfermeiro que ficou no lugar dela.

Depois que minha mãe pegou o resultado do exame, ainda teve que ficar de plantão em frente à sala do médico para mostrar o exame para ele. Isso demorou quase 1 hora e, enquanto minha mãe aguardava o médico, fiquei com meu pai na sala de observação.

Fiquei chocada ao perceber que o estado de sa√ļde dele naquele momento era bem pior de quando ele entrou… Ele n√£o conseguia respirar direito, queria vomitar e n√£o conseguia, estava muito inquieto na maca, com muita dor, abd√īmen inchado e duro, e estava muito preocupado com a medica√ß√£o que j√° n√£o fazia mais efeito algum. Ele tentou vomitar num saquinho, mas saiu um l√≠quido muito escuro…

Foi quando entrou uma enfermeira gr√°vida com uma prancheta na m√£o… Possivelmente ela iria verificar a situa√ß√£o dos pacientes que estavam naquela sala, mas quando ela viu o estado do meu pai, veio direto em minha dire√ß√£o e come√ßou a me fazer v√°rias perguntas.

Uma das perguntas que essa enfermeira fez foi: “H√° quanto tempo ele est√° com essa respira√ß√£o ofegante?”

Eu disse: “Desde quando ele entrou aqui no hospital!”

Ela perguntou mais algumas coisas e pediu a ficha dele, a qual estava na caixinha do médico, aguardando a chegada dele. Tive que buscar a ficha e o exame e ela levou para uma outra sala, provavelmente onde estava a tal equipe de cirurgia que a outra doutora havia mencionado.

De repente, uma equipe com uns cinco m√©dicos entrou na sala e j√° foram verificando o estado de sa√ļde do meu pai. Levaram-no para uma outra sala onde n√£o nos deixaram entrar.

Escutei um gemido bem alto, foi quando descobri que haviam introduzido uma sonda nele para retirar o líquido que estava obstruindo sua respiração. Quem nos contou isso foi o Dr. Bernardo Pompeu, que apareceu do nada no plantão e veio conversar comigo e com minha mãe.

Dr. Bernardo disse que tinha visto o exame dele e que os leuc√≥citos estavam em 300… at√© ent√£o eu n√£o tinha entendido que esse n√ļmero era muito baixo… Depois que eu fui procurar e soube que o normal √© estar entre 4 a 11 MIL! Ou seja, meu pai j√° n√£o tinha mais defesa alguma e estava morrendo… mas naquele momento, minha m√£e e eu n√£o est√°vamos entendendo a gravidade da situa√ß√£o. Ele falou ainda que o caso era grave, mas n√£o era de cirurgia. Disse que meu pai seria encaminhado para a unidade de emerg√™ncia para ficar isolado e que, assim que aparecesse uma vaga na UTI, ele seria encaminhado para l√°.

Nesse momento, não pudemos mais vê-lo e também não poderíamos mais ficar no hospital. Falaram apenas para retornar no dia seguinte, às 15h para a visita e também que teríamos que ir até a sala de internação para dar entrada nele lá.

Outro m√©dico, Dr. Wagner se n√£o me engano, estava com a equipe do Dr. Bernardo e tamb√©m veio conversar conosco. Ele perguntou se algu√©m j√° tinha explicado o caso dele e n√≥s dissemos que sab√≠amos que o caso era grave, mas n√£o sab√≠amos o que estava acontecendo. Dr. Wagner disse que o caso dele era grave e ficou grav√≠ssimo, que ele teria que ser entubado para conseguir respirar e para que a sonda que colocaram nele retirou uma grande muito grande de l√≠quido…

Minha m√£e e eu ficamos preocupadas, mas n√£o sab√≠amos mais o que fazer… Apenas seguimos as orienta√ß√Ķes dos m√©dicos de ir at√© a interna√ß√£o para dar entrada e depois ir para casa, pensando que voltar√≠amos no dia seguinte…

Quando estávamos fazendo a internação do meu pai, a atendente pediu a ficha com a qual ele deu entrada no pronto-socorro. Ela tinha ficado junto dele na maca, por isso tive que ir até onde ele estava para buscar. Bati na porta e quando o enfermeiro abriu, consegui ver meu pai de longe, que aparentemente estava normal, pois os batimentos estavam estáveis e ele não estava mais com a máscara de oxigênio.

Pedi a ficha dele para o enfermeiro e este questionou: “Precisa mesmo da ficha?”

Eu respondi: “√Č a mo√ßa da interna√ß√£o que est√° pedindo…”

Achei aquele questionamento dele um pouco estranho, mas não quis prolongar ainda mais a situação.

Fizemos a interna√ß√£o, vimos os m√©dicos passando com ele para a Unidade de Emerg√™ncia e essa foi a √ļltima vez que vi meu pai com vida… se √© que ele ainda estava com vida √† essa altura, pois desconfio que no momento em que enfiaram a sonda nele, algo muito grave aconteceu…

Depois de tudo isso, minha m√£e, Bruno e eu voltamos para a casa do Thierry e tentamos descansar. Comemos alguma coisa e fomos dormir por volta de 1 hora da manh√£. Quando finalmente peguei no sono, meu celular tocou, √†s 3 da manh√£… Era a atendente da interna√ß√£o do Hospital Heli√≥polis dizendo:

“Aqui √© do Hospital Heli√≥polis, √© referente ao paciente Luiz Candido de Oliveira, voc√™ √© o qu√™ dele?”

Eu respondi: “Filha…”

Ela continuou: “Houve um problema com um documento dele e os m√©dicos pediram para algu√©m da fam√≠lia vir at√© aqui.”

Nossa… Nem preciso dizer que quando ela falou isso eu j√° tinha pensado no pior, n√©? Minhas pernas come√ßaram a tremer, veio um n√≥ na garganta, uma ang√ļstia horr√≠vel misturada com uma sensa√ß√£o de impot√™ncia… V√°rias sensa√ß√Ķes horr√≠veis e misturadas, imposs√≠veis de ser descritas por aqui…

Acordei o Bruno e a minha m√£e, que tamb√©m ficaram t√£o nervosos quanto eu… Falei para minha m√£e ficar na casa, pois eu iria com o Bruno at√© o hospital saber o que houve, pois por mais que a gente j√° desconfiasse, n√£o consegu√≠amos acreditar que era verdade. No fundo sempre h√° uma esperan√ßa…¬†Falei para o Bruno ir dirigindo, pois minhas pernas tremiam, mas depois descobri que as pernas dele tremiam mais ainda!

Chegamos no hospital e fui direto na interna√ß√£o falar com a atendente que havia me ligado… Ela ligou para a Dra. Priscila para avisar que eu havia chegado, j√° com uma cara que dizia tudo… Depois pediu para Bruno e eu aguardamos numa salinha ao lado que a Dra. Priscila viria falar conosco.

Quando a Dra. Priscila chegou, ela come√ßou a falar e eu s√≥ conseguia ver a boca dela mexendo… n√£o conseguia mais processar o que ela estava dizendo… at√© que ela disse: “Veio a √≥bito”… Nesse momento n√£o caiu nem a ficha… foi logo um orelh√£o do tamanho do mundo que despencou em minha cabe√ßa…

Bruno e eu ficamos sem palavras, sem rea√ß√£o, nem chorar a gente conseguiu, pois o choque foi muito grande! S√≥ lembro dela ter falado que meu pai teve uma parada cardio respirat√≥ria √† meia-noite e que eles conseguiram reverter… Depois ele teve outra parada, por volta das 2 horas da manh√£ e n√£o conseguiram mais faz√™-lo voltar…¬†Perguntei a ela se eu poderia v√™-lo e ela disse que sim. Disse ent√£o que ia at√© em casa para dar a not√≠cia para minha m√£e e busc√°-la para que pud√©ssemos v√™-lo juntas.

Bruno e eu voltamos chorando para a casa do Thierry e quando chegamos lá, abracei minha mãe e ela já sabia de tudo. Pelo tipo de notícia que me deram pelo telefone, ela disse que já imaginava o que tinha acontecido. Voltamos para o hospital e quando chegamos lá, demorou ainda um tempo até que pudéssemos ver meu pai.

A demora foi para a prepara√ß√£o da declara√ß√£o, bem como a entrega dos exames que haviam ficado com eles. A √ļnica coisa que n√£o nos devolveram foi o tal do exame que acusou 300 leuc√≥citos que o Dr. Bernardo falou… mas na hora n√£o est√°vamos com cabe√ßa para cobrar esse tipo de coisa… S√≥ quer√≠amos v√™-lo…

Enquanto minha m√£e assinava a declara√ß√£o feita pelo m√©dico, liguei para minha irm√£ Elaine, que estava no Canad√°… Dar uma not√≠cia dessa para uma pessoa querida e que est√° t√£o longe, √© uma das piores coisas que pode existir… Choramos muito pelo telefone, ela ficou inconformada e disse que n√£o sabia o que fazer, pois talvez n√£o daria tempo de chegar para o vel√≥rio… Ficamos de retornar a liga√ß√£o depois, pois estavam nos chamando para ver meu pai.

Descemos at√© o necrot√©rio (lugar que minha m√£e e eu t√≠nhamos avistado no dia em que meu pai fez a sexta sess√£o de quimioterapia) e vimos meu pai enrolado no len√ßol do hospital, com as m√£os amarradas sobre o peito, esparadrapos segurando o maxilar e o corpo ainda quente… Foi a pior sensa√ß√£o da minha vida!

A vontade que minha m√£e e eu tivemos foi a de tir√°-lo de l√°, faz√™-lo acordar, falar com ele, mandar ele levantar, qualquer coisa do tipo! O corpinho magro e sofrido dele ainda estava quente… Uma sensa√ß√£o muito ruim… E essa imagem n√£o sai da minha cabe√ßa…

Desde ent√£o, acordo todos os dias com essa lembran√ßa na cabe√ßa… Sei que nada vai traz√™-lo de volta e que onde quer que ele esteja, ele n√£o quer que a gente sofra ou fiquemos tristes… mas √© muito dif√≠cil de controlar!

Hoje mesmo, 18 de setembro de 2019, seria o dia do retorno dele com o Dr. Jos√© Carlos, ap√≥s as sess√Ķes de quimioterapia e radioterapia. Na √ļltima semana em que meu pai fez as sess√Ķes de quimio, minha m√£e insistiu v√°rias vezes com meu pai para eles conversarem com o Dr. Jos√© Carlos, para que ele visse o estado que meu pai ficou… Como disse antes, o Dr. Jos√© Carlos falou para eles que seria um tratamento leve e simples, mas na verdade foi justamente o contr√°rio.

Apesar da insist√™ncia da minha m√£e, meu pai, mesmo fraquinho e debilitado, n√£o queria ver o m√©dico de jeito nenhum… N√£o t√≠nhamos como arrast√°-lo a for√ßa para ele ver o m√©dico, mas se soub√©ssemos que esse seria o fim, com certeza o far√≠amos… Meu pai ainda viu o Dr. Jos√© Carlos chegando numa quinta-feira (sendo que o dia dele estar l√° era de quarta), mas n√£o quis ir falar com o m√©dico… Meu pai apenas comentou com minha m√£e que tinha visto Dr. Jos√© Carlos, o que a deixou ainda mais brava, pois era para ele ter visto o estado em que meu pai ficou…¬†Enfim, agora n√£o adianta mais!

Quem matou meu pai?

Quando esse tipo de coisa acontece, tentamos achar culpados, procuramos respostas, pensamos no que poderia ter sido feito ou n√£o feito… Chegamos a pensar que seria melhor ter deixado meu pai achar que tinha mesmo hemorroida, para t√™-lo por mais tempo pertinho da gente, mas isso seria muito ego√≠smo e neglig√™ncia n√£o s√≥ da nossa parte, como da dele tamb√©m.

Colocamos a culpa na teimosia dele, na demora do SUS, na neglig√™ncia do PS, no fato do melhor amigo dele ter morrido no mesmo hospital h√° 10 anos atr√°s, no falecimento do irm√£o mais velho dele em maio, devido √† um c√Ęncer no f√≠gado que n√£o teve nem chance de tratamento devido √† idade avan√ßada…

Tio Salvador, irm√£o mais velho e padrinho do meu pai, sofreu muito na vida, mas tamb√©m vivia escondendo as dores, tratando-as como se fossem doen√ßas leves que se resolvem com um simples “Epocler”. No ano passado, em mar√ßo de 2018, ele foi levado ao hospital √†s pressas pois estava com uma infec√ß√£o grav√≠ssima entre o p√Ęncreas e o f√≠gado.

O diagn√≥stico era c√Ęncer, mas no caso dele, apesar de ser ainda mais grave, ele ainda conseguiu viver por mais de um ano, pois n√£o poderia tomar a quimioterapia, assim como aconteceu com meu pai… O m√©dico do Tio Salvador havia dado 6 meses de vida para ele, mas por ser muito forte e ter muita vontade de viver, ele viveu mais que o dobro do tempo estipulado pelos m√©dicos.

Salvador Candido de Oliveira, o filho mais velho de Ana Am√©lia de Oliveira, faleceu em 22 de maio de 2019. Nesse dia meu pai j√° estava abatido com o estado de sa√ļde de seu padrinho, mas ficou ainda mais com a morte dele.

Por isso, √© t√£o importante cuidar n√£o s√≥ do f√≠sico, mas principalmente do psicol√≥gico e do espiritual. Apesar de ser uma pessoa muito boa, querida e divertida, por dentro meu pai escondia uma tristeza muito profunda, al√©m de rancores, preocupa√ß√Ķes e falta de perspectiva de vida…

Sobre a quest√£o espiritual, meu pai era considerado um cat√≥lico n√£o praticante. Na inf√Ęncia ele chegou a ser coroinha de igreja. Frequentava a missa vez ou outra, mas nunca foi de se apegar a nenhuma religi√£o fervorosamente. Apenas acreditava em Deus, em Jesus Cristo e em Nossa Senhora, a m√£e de Jesus.

Ultimamente at√© mesmo suas ora√ß√Ķes, por mais frequentes que fossem, eram feitas com um pouco de d√ļvida e descren√ßa… Sentia um pouco de confus√£o na forma em que ele se expressava espiritualmente, mas nunca o questionei por isso. Apenas achava que ele tinha que ser mais firme em suas decis√Ķes e cuidar mais da sa√ļde…

Enfim, acho que registrei o principal sobre a saga de morte de meu pai, pois precisava desabafar de alguma forma. Essas lembranças ruins estavam me sufocando!

Não falarei sobre funerária, velório e afins, pois não é esse o intuito do post, mas para quem tiver curiosidade de saber, Graças a Deus, não tive problemas nenhum com essa parte!

Apenas para finalizar esse registro:

Luiz Candido de Oliveira, filho ca√ßula de Ana Am√©lia de Oliveira, faleceu no dia 1¬ļ de setembro de 2019. Pelo menos n√£o foi no m√™s de agosto, o qual ele tanto detestava, mas sim no m√™s em que ele completaria 65 anos (em 30 de setembro) e o Tio Salvador completaria 85 anos (em 29 de setembro).

Descanse em paz querido pai, Papito, Luizinho, Tio Luiz, Luba… Junto do querido Tio Salvador (Dod√ī), da V√≥ Ana, do Tio Zico, Tio Leu, Tia Maria e todos os anjos e santos do c√©u!

Deus precisou de um anjo no céu e o chamou para ajudá-lo!

Deus ajude que essa dor se transforme logo em apenas boas lembranças!

Te amo pra sempre meu querido Papito!

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Luiz Candido de Oliveira 30/09/1954 – 01/09/2019

 

 

10 coment√°rios em “Quem matou meu Pai?

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  1. Meu Deus… que triste ler esse post, e relembrar tudo oque passamos com uma cunhada muito querida Priscila (irm√£ mais velha do meu esposo). No pr√≥ximo dia 28/10/2019, completar√° 2 anos de morte da Priscila… em decorr√™ncia de c√Ęncer. Foram quase 6 anos de tratamento, sendo seu primeiro diagn√≥stico C√Ęncer de Mama… tendo met√°stase nos ossos. A Priscila tratou o c√Ęncer em seu conv√™nio m√©dico , que na verdade acabamos de ver… que sendo pelo SUS ou Conv√™nio, a neglig√™ncia m√©dica e suas equipes s√£o as mesmas… hoje me pergunto, oque devemos fazer para que isso acabe?!. Pq sabemos que nos USA, existem tratamentos contra o c√Ęncer, e que n√£o s√£o t√£o judiados e que tem resultado… que os pacientes sobrevivem.
    Sinto muito por sua perda, pe√ßo que Deus d√™ for√ßas a vc e sua fam√≠lia para suportar essa dor t√£o grande. E que ainda possamos ver aqui no Brasil um tratamento contra o c√Ęncer, menos agressivo e com resultado ben√©fico aos pacientes.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Ol√° Marisa! Obrigada por seu coment√°rio! Na verdade, eu acho que existem exce√ß√Ķes, sabe? Conhe√ßo pessoas que tiveram um bom atendimento no conv√™nio… s√≥ n√£o posso dizer o mesmo do SUS, infelizmente! Mas o intuito do post, al√©m de desabafar, tamb√©m foi o de alertar as pessoas para essa doen√ßa t√£o cruel e para as op√ß√Ķes de tratamento “√ļnicas” que existem para ela… Como voc√™ mesma disse, “sabemos que nos USA, existem tratamentos contra o c√Ęncer e que n√£o s√£o t√£o judiados…” √Č exatamente isso, pra qu√™ judiar tanto? Parece que a quimioterapia serve para matar ainda mais r√°pido a pessoa? Nessas horas que dou raz√£o para o Marcelo Rezende, que pelo menos tentou um tratamento menos invasivo. Pena que o estado dele era muito avan√ßado… Bom, mas que sirva de alerta o meu desabafo e, quem sabe, chegue aos respons√°veis pelas informa√ß√Ķes desencontradas do SUS, n√£o √© mesmo? Beij√£o pra voc√™ e sua fam√≠lia!

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      1. Por nada… sim, examente… que com esse Post chegue a autoridades e dire√ß√Ķes do SUS… at√© mesmo pq n√£o deixa de ser uma rede particular n√£o √© mesmo?!… pq pagamos por nossos impostos, e √© um direito nosso como cidad√£o de bem.
        Muito Obrigada e fiquem com Deus.
        Vc e sua fam√≠lia est√£o em minhas ora√ß√Ķes di√°ria. Um forte abra√ßo.

        Curtido por 1 pessoa

  2. Hospital

    Entra s√£o
    e sai num caix√£o.
    Do cambur√£o
    ao rabec√£o.

    Corte na m√£o:
    infecção.
    Leito no ch√£o:
    multid√£o.

    Soro, injeção,
    rim, coração.
    Dor e tens√£o.
    Extrema unção.

    Sa√ļde? N√£o.
    E o cidad√£o?
    Dorme no ch√£o.

    Vive na solid√£o
    juntando tost√£o
    pra pagar impostos em v√£o.

    Elaine Thrash (texto velho, mas sempre atual)

    Curtido por 1 pessoa

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